As ondas de destruição: a efemeridade do artefato tecnológico e o desafio da preservação audiovisual
Informações gerais
Resumo
Considera-se como pressuposto que qualquer objeto configura-se como conjugação de saberes e que o conhecimento de suas dimensões, formas, matéria e, indiretamente, do modo de sua fabricação, permite reconstruir ou explicar o ambiente que originou seus artefatos, isto é: suportes, equipamentos e imóveis que, juntos com o filme, compõem a “experiência cinema”. Com esse novo estatuto, eles podem falar de sua inserção passada e referenciar na atualidade o seu papel, como produto cultural, de suporte de memória. Porém, o fato de serem também produtos industriais faz com que estejam em constante mudança, as tecnologias se tornam rapidamente obsoletas e são constantemente substituídas por novas. Na ausência de coleta e proteção, a cultura material audiovisual desaparece, causando uma crise de conservação, denominada alegoricamente de “ondas de destruição”, que são narrativas de apropriação que alguns autores utilizam para atualizar os sentidos de transitoriedade e permanência que balizam o próprio conceito de preservação. A primeira “onda de destruição” ocorreu no início da década de 1910, impulsionada pelo crescimento do cinema como espetáculo de entretenimento, o que provocou a profissionalização e a padronização dos meios de realização de um filme. A segunda acontece em torno de 1932, com a impressão ótica do som junto à imagem. A terceira, iniciada na década de 1950, foi a substituição seletiva dos acervos em suporte de nitrato para o acetato de celulose. A quarta onda de destruição tem início em 1992, com a chegada do “cinema digital” impulsionando uma mudança de paradigmas na teoria e na prática cinematográficas. Dependendo do ponto de vista, os filmes e artefatos ordenam e representam narrativas coletivas ou individuais de diversas conotações culturais e econômicas. Os arquivistas reforçam que o patrimônio audiovisual é tudo o que é referente a gravações e reproduções de imagens em movimento. E ao afirmar que o passado é fixo, partem da premissa que esse documento pode ser tratado em qualquer dimensão temporal.
Costa, Silvia Ramos Gomes da. C837 As ondas de destruição: a efemeridade do artefato tecnológico e o desafio da preservação audiovisual / Silvia Ramos Gomes da Costa, 2013.