Revista Arquivo em Cartaz - Memórias do tempo presente registros da pandemia
Informações gerais
Resumo
A revista Arquivo em Cartaz 2020 também volta seus esforços, em sua sexta edi-
ção, para entender o impacto da pandemia em nossos registros, produções, imagens e trabalho com arquivos. Pôr em ordem, tentar compreender, é tarefa coletiva de nossas instituições públicas e privadas ligadas à pesquisa e à memória. É, portanto, um funcionário do Arquivo Nacional que dá o pontapé inicial à nossa revista neste ano: Marcus Vinicius, servidor da equipe de Processamento Técnico de Documentos Audiovisuais, Sonoros e Musicais, escreve um relato pessoal e corajoso sobre a rotina do trabalho em casa, misturando labuta e afeto, dificuldades e resultados.
O artigo seguinte, de Wilq Vicente, faz um apanhado da produção audiovisual recente sobre o universo da periferia brasileira. Parte de uma arqueologia das abordagens negras e suburbanas para fazer um levantamento contemporâneo do que tem sido realizado na cinematografia brasileira, ainda que sem financiamento e inventando respostas para as necessidades mais básicas do financiamento de filmes. Traz em seu título “a experiência da escassez” como marca da produção na e para a periferia e, em seu texto, aponta caminhos para se produzir, mesmo no fio da navalha.
Logo em seguida, Melissa de Oliveira faz uma abordagem dos cruzamentos entre as desigualdades de gênero, classe e raça, através das cenas midiatizadas do caso do menino Miguel, filho de uma emprega doméstica que trabalhava em um prédio de luxo no centro de Recife. O menino caiu do nono andar, enquanto estava sob os cuidados da patroa de sua mãe. Essa situação é ponto de partida para trazer dados e questionamentos sobre a condição da mulher brasileira durante a pandemia.