Preservar pra quem? As contradições na preservação do patrimônio urbano-industrial em Campinas (SP)
Informações gerais
Resumo
O objetivo deste artigo é analisar a relação entre a reestruturação urbano-industrial e os conflitos na conservação do patrimônio industrial de Campinas. A análise privilegia o final dos anos 1970 até 2014, anos de intensificação dos processos destacados. Nossa pesquisa teve como procedimentos metodológicos: revisão bibliográfica, trabalhos de campo, entrevistas, pesquisa documental, produção cartográfica. O estudo mostra que, em Campinas, o elevado número de tombamentos associados à dimensão cotidiana do trabalho indica uma tendência política de preservação da memória trabalhadora, ferroviária e industrial. Entretanto, muitos dos tombamentos contribuíram contraditoriamente para a deterioração de exemplares do patrimônio industrial da cidade. Nesse sentido, os projetos e as ações impelidas pelos agentes produtores do espaço urbano de Campinas – o poder público municipal, os empresários, os moradores (antigos e novos), as instituições e os grupos políticos de defesa do patrimônio – evidenciam os conflitos pelos usos, funções e apropriação material e simbólica da cidade.